o sol é inimigo da perfeição

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Maria Sousa teria uns 40 anos quando algumas manchas escuras lhe apareceram na pele, “na zona da bochecha e do buço”. Lembra-se bem, foi no ano em que passou uma quinzena debaixo do sol das Caraíbas. É morena, cabelos escuros, vive à face da praia. Sempre apanhou sol, nunca sofreu com grandes escaldões, mas na meninice não tinha grandes cuidados com a pele. Pelo menos não tantos como hoje. Faça chuva, faça sol, seja verão ou inverno, o protetor solar de fator 50 na cara não falha, logo pela manhã. Entrou na rotina. Mas as manchas teimosas, essas, nunca as conseguiu eliminar.

Não levou muito a procurar ajuda. Já tentou cremes despigmentantes e, no inverno, alguns tratamentos que ajudaram “a tornar o tom de pele mais homogéneo, mas que nunca resolveram totalmente as manchas”. No tempo frio, ficam mais atenuadas, só que há “três ou quatro mais persistentes que continuam visíveis”. Tem 49 anos, não complica, “há coisas piores”. “Uso um bocadinho de maquilhagem para trabalhar e para sair, mas se tiver que sair para uma caminhada, nem uso. Não é uma coisa extremamente visível e também lido bem com isso.”

O problema não lhe é exclusivo, longe disso. Há muitas mulheres que sofrem com melasmas no rosto. E a percentagem é muito superior à dos homens. “É claramente mais comum em mulheres, embora também haja homens atingidos pelo problema. Mas as causas em dermatologia são muito difíceis de apurar.” António Massa vê largas dezenas de doentes por mês, tem “a maior clínica privada de dermatologia do país”, no Porto. Vai direto ao assunto: “Há literatura que diz que as manchas podem estar ligadas a problemas de fígado ou até ao uso da pílula, mas os fatores que realmente contam são a predisposição genética e a exposição solar, que é quase sempre excessiva”.

Protetor solar em camada espessa

O dermatologista e também presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia ressalva outro pormenor. “Em países como o México, e volto a falar da genética, uma grande percentagem de mulheres que engravida fica com essas manchas, é o chamado cloasma.” Ainda assim, tem mais certezas do que dúvidas quando diz que é o sol o maior inimigo. “As pessoas põem pouco protetor solar. Não conta só o fator de proteção. Aliás, o fator 30 quase chegava se fosse em camada espessa, massajando muito em toda a face, e se fosse reaplicado duas, três, quatro vezes ao longo do dia.” E lembra o que as pessoas teimam em não ouvir: evitar a exposição solar entre as 11 e as 16 horas.

Certo é que as manchas na pele são situação recorrente no consultório. Mas há solução? “Sim. Com cremes específicos e medicação que se adapta, conseguimos inverter o processo em muitos casos.” Numa segunda linha, os peelings químicos – que está fora de questão fazer no verão – conseguem acelerar o processo e controlar a maior parte das manchas. E depois, os lasers de luz pulsada que, segundo António Massa, só são úteis quando “debaixo das manchas castanhas há os chamados raios de sangue e a destruição desses raios melhora a situação”. O nível de intervenção é proporcional à necessidade. Mas no pós-tratamento, se não houver proteção solar eficaz, “as manchas têm tendência a reaparecer”. “Se a pessoa se expuser outra vez, estraga tudo, é uma questão de opção.”

Aos 54 anos, Natália Sá lembra-se bem de seguir as recomendações do dermatologista à risca. “Devia ter 40 e poucos anos quando comecei a ficar com manchas escuras no buço, a parecer um bigode, e à volta dos olhos a fazer lembrar uns óculos.” Nunca foi de estar “a torrar ao sol”, tem a pele branquinha. Começou a sentir-se feia. “Aquilo não desaparecia, cada vez tinha mais, e no verão então, acentuava-se muito. Ainda levei uns dois anos a ir ao dermatologista, que uma pessoa conhecida me sugeriu.”

Para disfarçar as manchas, até começou a usar base e cremes com cor. Mas a ida ao médico foi remédio santo. “O dermatologista receitou-me medicação para despigmentar a pele, que fiz naquela fase. E protetor solar sempre, de verão, inverno, chovesse ou trovejasse.” Duas consultas bastaram, nunca mais ganhou as malditas manchas. “Porque tenho tido sempre esse cuidado, uso fator 50+.” Largou a maquilhagem no dia a dia. Ainda assim, no verão, confessa, há um ligeiro reaparecimento. “Mas nada que se compare, nunca mais fiquei como naquela altura.”

“Há manchas que não desaparecem”

Segundo a dermatologista Susana Vilaça, “há pacientes que respondem muito bem com um ou dois tratamentos, e outros que exigem mais, sobretudo peles muito pigmentadas, casos em que as manchas até podem escurecer mais ainda”. E assegura que há muitas mulheres a procurar ajuda, “porque isto afeta muito a autoestima, talvez até mais do que as rugas”.

Ao contrário de António Massa, Susana Vilaça defende que “as hiperpigmentações são multifatoriais”. “Podem ser predisposições genéticas, ter causas hormonais, nomeadamente no pós-parto, ou estar ligadas ao tipo de pele, uma pele escura só de si está mais propensa.” Mas a dermatologista reconhece que o fator mais determinante é a exposição solar, que agrava o problema. E a proteção nem sempre é suficiente, “porque não é um ecrã total e a maioria das pessoas não usa a quantidade adequada e não repõe”.

Mesmo com tratamento, alerta, “há manchas que não desaparecem”. Porque os “melasmas, além do escurecimento que depende da profundidade, também têm a componente vascular, e até com recurso a laser vascular alguns reaparecem”. Durante o verão, além do protetor solar, há algumas soluções: cremes clareadores e antioxidantes ou suplementação para quem tem fotossensibilidade alta. “São pró-vitamínicos, com vitamina D, carotenos, para ter uma estimulação homogénea e ajudar nos melasmas”, frisa Susana Vilaça.

Mas é fora da época dos banhos de sol que a maioria das terapias, sobretudo as abrasivas que renovam a pele, podem ser feitas. Peelings químicos, cremes despigmentantes, laserterapia. Embora reconheça que “são caros”, são eficazes se as expectativas forem realistas. “Os tratamentos andam sempre à volta dos 300 euros e o número de sessões depende muito de pessoa para pessoa”, observa a especialista.

Peelings no verão? Já é possível

Sofia Santareno, cirurgiã plástica, concorda que há melasmas que já são tão profundos que não se conseguem apagar por completo. A única solução é prevenir que escureça. “Com um protetor solar que resguarde do sol e da radiação dos ecrãs, dos computadores e televisores, que também podem provocar lesão. Só existe um que faz isso, o Heliocare, que tem Fernblock e também existe em suplemento oral que já inclui vitamina D.” Com a proteção, diz, há manchas que reduzem logo, mas há outras que não. E, além de tratamentos superficiais com cremes que diminuem a atividade da enzima que leva à produção de melanina, a cirurgiã defende o recurso aos peelings.

“Há muita gente que pensa, de forma errada, que os peelings das manchas só se podem fazer no inverno. Já não é verdade. Os peelings no inverno são mais agressivos. Mas agora há peelings nanotecnológicos que conseguem levar informação aos núcleos das células em profundidade para que deixem de produzir melanina. Como não esfola a pele, podem ser feitos durante o verão, porque não é uma agressão química.” Normalmente, explica Sofia Santareno, são necessários três peelings seguidos, um por mês. Mas a cirurgiã acrescenta outra novidade nos tratamentos. Além dos lasers a luz pulsada que atuam nas manchas e cujos resultados são difíceis de prever, já há “pico lasers que permitem uma descarga rápida de energia no melanócito numa duração tão curtinha – num “picossegundo” ou bilionésimo de segundo – que não dá tempo para as células à volta ficarem inflamadas”. São mais precisos.

Não faltam alternativas, contudo a especialista aponta que o primeiro passo é a aceitação. “Temos de assumir que muitas manchas acabam por se tornar numa condição crónica. É uma cicatriz de cor na nossa pele. Muitas vezes, o único caminho é proteger para não piorar.”

Conselhos para o verão

Proteção solar em quantidade
Fazer proteção solar durante todo o ano é meio caminho andado para evitar o agravamento dos melasmas. O ideal é usar proteção 50+ e aplicar dois mililitros de creme por centímetro quadrado de pele.

Reposição ao longo do dia
É importante repor o protetor solar ao longo do dia. Já há brumas para facilitar a reposição a quem usa maquilhagem ou protetores com cor que permitem o duplo efeito: proteção e camuflagem.

Chapéu de abas largas
Além de evitar o sol nas horas de mais calor, usar chapéu de abas largas, sobretudo na praia, ajuda na proteção. Uma regra simples para quando nos expomos ao sol é perceber que quanto menor for a nossa sombra, maior é o risco.

Consultar dermatologista
As terapias têm de ser adaptadas a cada pessoa e nem todas as manchas na pele são melasmas. Há várias lesões que podem ter a aparência de manchas, desde queratoses actínicas a lentigos. O diagnóstico é fundamental.

Tratamentos no verão
Para os melasmas, há alguns tratamentos possíveis de fazer no verão, desde cremes antioxidantes a suplementação ou até peelings nanotecnológicos.



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