Os riscos de uma cirurgia em paciente ps-COVID

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(foto: National Cancer Institute/Unsplash)

Os pacientes oncolgicos fazem parte do grupo de risco para infeco pelo coronavrus e, por isso, daremos continuidade conversa com o professor Gustavo Meyer, cirurgio de cabea e pescoo, focando nos riscos de um procedimento cirrgico, aps infeco por COVID-19.

O primeiro risco a ser ressaltado o da exposio ocupacional. Procedimentos como traqueostomia, intubao orotraqueal, intubao nasotraqueal, bem como a manipulao cirrgica da via aerodigestiva superior em pacientes infectados representa risco de contgio para a equipe de sade envolvida no tratamento. Desde o incio da pandemia, em todo o mundo se notificou risco aumentado para os profissionais que lidam diretamente nessas regies.

Existe tambm o risco para o paciente de se sobrepor agresso causada pela doena (e a toda resposta inflamatria que a infeco pode desencadear). O trauma cirrgico desencadear, de modo inexorvel, o aparecimento de um quadro inflamatrio de resposta manipulao dos tecidos.

Observa-se um aumento do risco de complicaes ps-operatrias e de formas graves de COVID, com aumento de mortalidade em pacientes com COVID durante a cirurgia, mesmo que assintomticos no momento da interveno cirrgica. Todo procedimento eletivo em paciente com suspeita ou diagnstico de COVID deve ser suspenso.

A testagem rotineira no ato da internao no assegura que o paciente no esteja infectado, uma vez que h elevada taxa de exames falsos negativos nos primeiros dias. Por isso, recomendado que pacientes que sero operados devem permanecer em total isolamento nos dez dias que antecedem o tratamento cirrgico. Infelizmente, nem sempre essa recomendao pode ser seguida, pois muitos pacientes necessitam de cuidados de terceiros.

Um ponto importante a ser destacado o aumento na incidncia de complicaes cirrgicas e o aumento na mortalidade ps-operatria, em pacientes que j tiveram COVID, sobretudo naqueles que apresentaram a doena em sua forma mais grave, com necessidade de internao hospitalar. Esse aumento no risco de complicaes permaneceu at vrios dias depois da melhora do quadro infeccioso. Atualmente, a recomendao a ser seguida de se esperar, no mnimo, sete semanas aps o diagnstico, para realizao de qualquer procedimento cirrgico eletivo, mesmo que o paciente j se encontre assintomtico.

Uma interveno cirrgica realizada em prazo inferior a esse est relacionada ao aumento do risco de complicaes pulmonares nos primeiros 30 dias, inclusive com necessidade no esperada de ventilao mecnica no ps-operatrio, bem como aumento da mortalidade nos primeiros 30 dias aps o procedimento cirrgico.

O dilema que vivemos no presente momento ter que prestar a melhor assistncia, oferecendo o menor risco, com todos os seguintes fatores se apresentando simultaneamente:

– diagnstico tardio em grande parte dos casos

– indisponibilidade de leitos e insumos

– progresso da doena durante a espera do tratamento

– risco ocupacional para a equipe assistencial

– risco de exposio ao paciente que ser internado

– necessidade de se postergar o tratamento por sete semanas, em pacientes que j tiveram COVID

Diante de todos esses fatores conflitantes, a rotina tem se apresentado especialmente desafiadora, mesmo para os especialistas mais experientes.

Tem alguma dvida ou gostaria de sugerir um tema? Escreva pra mim: [email protected]



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