Professores pedem exoneração de diretora que acusou categoria de não querer trabalhar e negou casos de Covid: ‘Indignados’ | Santos e Região

    0
    15

    Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

    .

    O abaixo-assinado, realizado em nome de professores, profissionais da rede municipal de ensino e de pais e responsáveis por alunos, começou a ser divulgado nesta segunda-feira (14). O documento solicita a exoneração imediata da diretora, devido à conduta da profissional como gestora pública nas redes sociais. Até a publicação desta reportagem, o documento contava com 281 assinaturas.

    Em entrevista ao G1, Poliana Fé do Nascimento, coordenadora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Subsede Litoral Sul, explicou o motivo que levou os profissionais a realizarem o abaixo-assinado. Segundo ela, além do que foi dito pela diretora, o pedido é o resultado de inúmeras tentativas de diálogo que não foram atendidas por Priscila.

    “Em diálogo com toda a categoria e os profissionais da educação, nós resolvemos fazer esse abaixo-assinado, porque uma pessoa como essa não tem condições de estar à frente da direção do departamento da Educação. Uma coisa muito difícil é a gente estar dialogando. Pedimos várias reuniões para a gente conversar, porque, afinal de contas, a educação é a nossa prioridade. Nós pedimos várias reuniões com a senhora Priscila, e ela não atende”, explica Poliana.

    Além de coordenar a Subsede da Apeoesp, Poliana também é professora da rede municipal de ensino de Mongaguá. De acordo com ela, as reuniões seriam para discutir causas da educação, questões de segurança, materiais e estrutura das escolas. A ausência de respostas causou desconforto aos professores, que, após serem acusados de não quererem trabalhar, resolveram pedir a exoneração da profissional.

    “Nós nos sentimos ofendidos, né? Porque, de uma forma geral, nós acabamos sendo chamados de vagabundos, que não queremos o retorno presencial, e todo mundo sabe que não é essa a questão. A gente está reivindicando nas nossas escolas os EPIs, segurança e a vacinação para todos os profissionais da educação, porque nós ainda somos poucos vacinados”, argumenta a profissional.

    Antes de promoverem a ação, os professores tentaram dialogar com a administração municipal, no entanto, não receberam respostas. “Protocolamos documentos, tanto nós como outras entidades. Até o prefeito nós procuramos para abrir um diálogo em relação a essa atitude, mas não obtivemos respostas”, comenta Poliana. Apesar da iniciativa, ela relata que muitos profissionais não se sentem seguros. “O assédio na cidade é muito grande, então, muitos professores acabam até não assinando, por medo de represália”.

    Diretora de Educação diz que professores 'não querem trabalhar' e nega Covid-19

    Diretora de Educação diz que professores ‘não querem trabalhar’ e nega Covid-19

    Com o auxílio da equipe jurídica da Apeoesp, o documento aponta que a diretora de Educação desrespeitou os princípios da moralidade e legalidade, infringiu itens da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e destaca que a situação também se enquadra como difamação. “Isso é para ver se alguém escuta, se a gente consegue que escutem as nossas reivindicações, que venham dialogar. O abaixo-assinado vem de encontro a todos os anseios da categoria”, diz Poliana.

    Poliana conta, ainda, que o sentimento da categoria é de indignação. “A gente fica muito indignada por saber que estão negando essas mortes. São vidas, famílias que perderam seus familiares, e a pessoa fala que ninguém da educação morreu? A gente realmente gostaria que isso fosse verdade, mas não é”, desabafa.

    “Nós estamos em um país no qual a educação é muito importante, ela move o mundo, e sem educação, nós não vamos a lugar nenhum. O professor ser tratado dessa maneira, acaba se consolidando que a educação não vale nada, e isso não é verdade”, lamenta.

    Ao G1, um profissional da rede municipal, que preferiu não se identificar, demonstrou o descontentamento com a situação. “Quando me enviaram o vídeo e eu assisti, fiquei consternado, pois não estava acreditando que uma gestora pública, e principalmente da educação, poderia fazer tais acusações levianas contra toda a classe. Os professores se desdobram, mesmo sem condições, para cumprirem com as suas obrigações, e não têm apoio nenhum do departamento de Educação, pelo contrário, somos massacrados a todos os instantes”, diz.

    “Então, para dizer a verdade, essa não é a primeira vez que ela [diretora de Educação] faz esses tipos de ataques, mas nunca tinha feito direcionado aos professores, classe à qual ela faz parte. Desde o início da sua gestão na Educação, estamos tentando diálogo, mas não há abertura para conversa”, finaliza.

    Na última semana de maio, Priscila Eleutério, que comanda a Diretoria Municipal de Educação, fez uma live em suas redes sociais para falar sobre a volta às aulas presenciais na rede básica de ensino no município. Ela começa a transmissão falando sobre o uso de máscaras de proteção nas crianças, e diz que elas são “um exemplo para nós”, pois estão usando corretamente.

    Em seguida, ela fala que professores estão mentindo sobre o contágio pelo coronavírus. “Se vocês estão ouvindo que os professores estão pegando Covid, é mentira. É mentira, tá? Não estão. Por que são só os professores que pegam Covid? Estranho isso. Funcionário não é nada? Gestor não é nada? Então gente, é muito ‘mimimi’ para pouco ‘vamos lá'”, disse durante a transmissão.

    Priscila continuou. “O que acontece hoje é que tem gente que não quer trabalhar, esse que é o grande problema. E eu tenho que avisar, ou lembrar, que as pessoas têm deveres, tá bom? Não existe essa possibilidade. Os professores que estão apresentando atestado é porque estão em home office, e eu não tenho nada a ver com a vida de ninguém”, disse a diretora de Educação.

    Em nota, a Prefeitura de Mongaguá informou ao G1 que já respondeu sobre o assunto, e que não vai mais se pronunciar sobre essa questão. A reportagem também tentou entrar em contato com Priscila, mas não conseguiu localizá-la.

    VÍDEOS: As notícias mais vistas do G1



    Fonte