Projeto faz reconstrução mamária em mulheres que tiveram câncer

0
36

Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

.

O câncer de mama é o tipo mais comum da doença e representa 11,7% dos casos no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Na maioria dos quadros, para o tratamento do tumor é necessário a cirurgia de remoção da mama.

Com o objetivo de auxiliar as mulheres que passam por esse processo, a cirurgiã plástica, Cláudia Francisco Oliveira, membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), criou, em São José dos Campos, cidade no interior de São Paulo, o projeto Ser. O objetivo é restaurar, gratuitamente, a autoestima de mulheres que tiveram a mama removida em decorrência do tratamento do câncer.

“As mamas representam para as mulheres não só um órgão para a amamentação, é uma importante parte de sua visão corporal e sensualidade”, explica Cláudia.

Segundo a médica, mais de 40 mulheres se cadastraram no projeto, sendo que oito delas já foram operadas. Cláudia conta que a ideia de criar a associação surgiu após perceber que poderia ajudar mulheres que não podem arcar com as despesas de uma cirurgia, que pode custar de R$ 20 mil e R$ 55 mil.

“Trabalhando com reconstrução mamária há mais de 20 anos em clínicas privadas, e sabendo que nem sempre as cirurgias de reconstrução mamária são possíveis em hospitais públicos, por falta de profissionais habilitados e que vivenciam a especialidade da reconstrução. Assim, percebi que poderiam ter muitas mulheres vivendo silenciosamente com o sonho de realizar a reconstrução, mas ainda sem condições financeiras para arcar com os custos”, conta.

Para que a mulher possa se inscrever no projeto Ser, Cláudia conta que é necessário comprovar que não têm condições financeiras de pagar a cirurgia, assim como a liberação de um oncologista para a realização do procedimento.

A estimativa do INCA (Instituto Nacional do Câncer) é de que mais de 66 mil novos casos de câncer de mama sejam diagnosticados no Brasil apenas em 2021. Sendo que grande parte deles já estão em estado avançado, sendo necessária a remoção da mama.

A especialista explica que as formas de reconstrução mamária depende de como foi feita a mastectomia, cirurgia de remoção mamária.

“Se houver preservação da pele, aréola e mamilo, podem ser usados implantes mamários como próteses e expansores de pele. Mas, se houver remoção de parte ou de toda a pele, pode-se indicar a utilização de retalhos miocutaneos (músculo com pele), que vão substituir a falta da pele removida. Todas as técnicas necessitam de implante mamário, exceto quando se usa o excedente de pele e gordura da região abdominal, pois o próprio volume de gordura é suficiente para retomar o formato da mama.”

Segundo a SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia), apenas 20% das mulheres que passam pela mastectomia conseguem fazer a cirurgia reparadora. Atualmente, a cirurgia faz para dos procedimentos oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Mas, segundo a especialista, em muitos casos a falta de estrutura e de médicos especialistas impossibilitam a realização do procedimento. Com isso, o tempo de espera para fazer a reconstrução é longo, principalmente se não for feita no mesmo momento da retirada da mama. 

O projeto também auxilia as mulheres no pós-operatório e uma equipe ajuda com curativos e drenagens, importantes no pós-operatório, e que têm um alto custo.  

Cláudia conta que a pandemia afetou o projeto Ser, devido a menor disponibilidade de médicos e hospitais livres para contribuir com a associação.

“Inicialmente, teríamos o apoio de mais dez profissionais cirurgiões plásticos que viriam nos ajudar nos procedimentos cirúrgicos. Esse modelo não pôde ser feito por conta da pandemia. Também contávamos com ajuda do hospital público para retaguarda, mas entendemos que profissionais e hospitais não puderam se comprometer nesse momento”, conclui.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Carla Canteras



Fonte