Próteses bucomaxilofaciais restauram funções e ajudam no resgate social de pacientes | CRO-PR Pela saúde bucal dos paranaenses

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Quando era doutoranda em Oncologia pela USP em 2009, a dentista Roberta Stramandinoli (CROPR 16.215) passou uma temporada nos Estados Unidos, no Memorial Hospital, no departamento de Câncer Bucal e Prótese Facial. Foi lá que se encantou pelo tema e desenvolveu pesquisas na área de regeneração facial. Hoje, ela ajuda pacientes que nasceram com alguma má formação congênita na face, ou que foram afetados pelos tratamentos agressivos do câncer, a retomarem à dignidade e terem qualidade de vida por meio das próteses bucomaxilofaciais.

Nesta especialidade odontológica o principal objetivo do profissional é reabilitar a anatomia, função e estética da boca com os chamados substitutos aloplásticos. Eles são inseridos na região da maxila, da mandíbula e da face que ficaram ausentes ou defeituosas em razão de más formações congênitas, de desenvolvimento ou sequelas de tratamento de câncer na região de cabeça e pescoço. Em 2019, segundo dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), 20.722 pessoas morreram por conta da doença que, infelizmente, é geralmente descoberta em fases avançadas, o que costuma gerar sequelas graves no tratamento, tais como perda de um dos olhos, do nariz ou de parte do palato.

Divididas em dois tipos, as próteses bucomaxilofaciais (PBMF) são intraorais (para grandes perdas maxilares, por exemplo) e extraorais (confeccionadas em silicone de grau médico). Neste caso, são substitutas do nariz (prótese nasal), orelha (auricular), de globo ocular e outras regiões da face – em cânceres de pele ou bochecha, por exemplo, o paciente pode ter uma perda facial grande. “Não são casos fáceis e falta a cultura de que a reabilitação faz parte. As próteses são bem realistas e é possível deixar o mais próximo possível do que o paciente era antes”, explica Roberta.

As extraorais são fixadas com colas especiais, implantes osseointegráveis ou sistema barra-clipe. Dentro da boca, as PBMF funcionam como uma espécie de dentadura. Correção das funções da fala, deglutição e mastigação são outros benefícios das próteses bucomaxilofaciais. Em casos específicos, o trabalho do profissional especialista na área é realizado em conjunto com médicos especialistas em cirurgia plástica ou de cabeça e pescoço.

Com sua experiência acadêmica e vivência profissional – além dos pacientes no consultório, a Dra. Roberta também atua há 16 anos com pacientes oncológicos no Hospital Erasto Gaertner. Ela tinha uma inquietação: ajudar na reabilitação de pessoas que se curaram de cânceres agressivos na região de cabeça e pescoço, mas ficaram com sequelas graves. Alguns exemplos são a perda de um olho, do nariz ou de parte do palato, o que não permite que a pessoa se alimente normalmente e se envergonhe da convivência (muitas vezes, a comida acaba saindo pelo nariz por conta da lesão no céu da boca).

“Eles se perguntavam se iriam ficar sem nariz, sem olho e, num primeiro momento, muitos podem pensar que isso é secundário para quem se curou. Mas não é”, frisa a dentista. Por anos, ela apresentou projetos junto ao Ministério Público para montar um serviço gratuito para oferecer próteses bucomaxilofaciais para pacientes mutilados, algo raro no Brasil.

Em janeiro de 2020, finalmente o sonho da dentista se concretizou e ela ajudou a montar e inaugurar o Serviço de Prótese Facial Reconstrutiva no Hospital de Reabilitação, que integra o Complexo Hospitalar do Trabalhador (HT). O serviço, o primeiro no Paraná, é 100% SUS e atende à demanda de todo o estado. “Costumo dizer que é o meu quarto filho. Me dedico a esclarecer os direitos que esses pacientes têm e que o SUS precisa fornecer.”

As histórias que Roberta e a equipe do serviço acompanham são “gratificantes”, diz ela. “Colocamos nariz em uma senhora que estava sem há cinco anos. Ela nos disse que finalmente poderia voltar a sair, ir ao mercado. Ou de pacientes que não tinham o céu da boca e não conseguiam se alimentar com os familiares. Devolvemos autonomia e autoestima.”

Roberta Stramandinoli salienta que os dentistas que atuam nas redes públicas nos municípios do Paraná podem encaminhar pacientes com necessidade de próteses bucomaxilofaciais, seja intra ou extraoral, para o Serviço de Prótese Facial Reconstrutiva, no HT, em Curitiba. É necessário encaminhar o paciente via Unidade de Saúde da cidade, com uma carta de indicação e a doença de base. Com esses dados, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) distribui as vagas e realiza o agendamento eletrônico para que o paciente compareça na data marcada em Curitiba.



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