quando é indicada e os riscos

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Já faz alguns anos que a busca das mulheres pela cirurgia íntima feminina (também conhecida como labioplastia) vem crescendo. De acordo com uma pesquisa feita em 2017 pela Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética), o Brasil está em primeiro lugar no ranking de países que mais fazem o procedimento, com cerca de 21 mil cirurgias desse tipo efetuadas ao longo daquele ano.

A cirurgia íntima é realizada na vulva, parte mais externa da genitália feminina, composta pelos grandes e pequenos lábios, ou na vagina, que é o canal que começa na vulva e vai até o útero.

Este aumento considerável de cirurgias possui diversos fatores relacionados, sendo que um dos principais é o culto, cada vez maior, à beleza e também a uma genitália feminina apontada como ideal.

E é a internet o principal celeiro disseminador desta tal “vulva padrão”. Além disso, algumas mulheres, incentivadas por seus parceiros, acabam buscando um ginecologista ou cirurgião plástico a fim de satisfazer os desejos alheios.

Faça uma autoanálise

Nestes casos, o procedimento é totalmente estético, por isso é interessante fazer uma avaliação da real necessidade da cirurgia.

“É importante que a paciente se pergunte qual é o motivo que a leva a fazer o procedimento. Ter certeza de que está tomando esta atitude por si mesma, e não para agradar outra pessoa. É importante que ela saiba que a cirurgia estética não é capaz de melhorar milagrosamente a vida sexual e que os resultados idealizados nem sempre são possíveis”, alerta Marair Sartori, presidente da Comissão Nacional de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Por isso, é muito importante que o procedimento seja feito por um profissional especializado. Procure no site da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e sempre peça referências.

É válido saber também que não existe um padrão de vulva ou de vagina considerada normal. “A aparência genital padronizada, que vem sendo perpetuada por sites de clínicas privadas, que rotulam confusamente e definem diversos procedimentos como padrão, não possui nenhuma evidência científica sobre sua eficácia”, aponta Leonardo Bezerra, ginecologista do Departamento de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente da UFC (Universidade Federal do Ceará).

A cirurgia íntima deve ser levada tão a sério não somente por ser um procedimento invasivo, mas também por mexer com a mente das mulheres. Isto porque a intervenção pode melhorar a autoestima delas, mas, por outro lado, se eventualmente a paciente ficar com desconforto, dor na região, dificuldade de ter relação sexual, ou o procedimento não ficar de acordo com o esperado, pode impactar negativamente o bem-estar psicológico.

Antes de decidir fazer uma cirurgia íntima, reflita: você está fazendo isso por você ou por uma pressão exterior?

Imagem: iStock

Questão de saúde

Por outro lado, existem grupos de mulheres que optam pelo procedimento por conta de incômodos sentidos em suas atividades diárias.

“Quando a paciente tem o pequeno lábio vaginal muito grande, por exemplo (uma das principais queixas), pode causar desconforto na roupa íntima, na sua atividade física, ou até mesmo nas relações sexuais. Se houver estas queixas, a correção cirúrgica pode trazer benefícios”, explica Lucas Schreiner, médico do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

A dificuldade em urinar também é outro fator que pode levar à cirurgia íntima. Assim como o acúmulo de secreção e risco de infecção pelo excesso de pele dos pequenos lábios, o que dificulta a higienização do local.

Melhorias na rotina

Foi exatamente por conta do incômodo vindo pelo aumento dos pequenos lábios que Maria* decidiu realizar a cirurgia íntima.

“Nunca pensei em fazer esse tipo de cirurgia, mas comecei a sentir dores nas relações sexuais e, dependendo do que eu vestia, como um biquíni, por exemplo, acabava marcando, e isto passou a ser bastante desconfortável para mim”, conta.

O primeiro passo dado por Maria rumo ao procedimento foi exatamente o que os médicos indicam: pesquisar sobre o melhor profissional de saúde.

“Escolhi um que me passou credibilidade. Então, quando cheguei ao consultório, o médico me examinou e explicou tudo [sobre a cirurgia]. Me senti segura, minha vergonha passou e, logo em seguida, não hesitei em fazer”, lembra.

Diversos procedimentos

Não são apenas os pequenos lábios que podem causar desconfortos a fim de gerar uma busca pelo procedimento. O clitóris, os grandes lábios e o púbis também podem passar por modificações, que vão desde a redução da flacidez e de tamanho, passando pelo estreitamento vaginal, até a correção de cicatrizes e de prolapsos genitais, que é quando a mulher tem o útero ou a bexiga caída.

“A cirurgia íntima pode melhorar infecções urinárias, vaginais, a menor ou maior sensibilidade clitoriana, entre outros benefícios”, diz Alexandre Kataoka, cirurgião plástico e diretor do Depro (Departamento de Defesa Profissional) da SBCP.

Vulva, vagina - iStock - iStock

A cirurgia íntima também pode trazer benefícios à saúde

Imagem: iStock

Independentemente de a cirurgia íntima ser feita por estética ou saúde, é importante saber que, assim como qualquer procedimento deste tipo, existem alguns riscos, como infecção, o que pode comprometer o resultado estético e o próprio procedimento em si.

“E tem os desconfortos também. Como é um órgão que está localizado em uma posição de sentar e locomoção, o pós-operatório tem um pouco de edema, inchaço e pode incomodar nos primeiros dias. Normalmente, a dor é mínima e controlamos, assim como o inchaço, com uso de compressas geladas na região”, afirma Alexandre Pupo, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Além disso, o procedimento, apesar de raro, também pode reduzir a sensibilidade na região. “Algumas pacientes imaginam que, ao fazer a correção, vão melhorar sua sensibilidade e vão sentir melhora na relação sexual, mas temos que lembrar que, uma vez que é feito um trauma cirúrgico, corre-se o risco de impactar negativamente na qualidade da sensibilidade pela própria secção (corte) de pequenos nervos que estão presentes no local”, alerta Schreiner.

Tempo de recuperação

De acordo com Wendell Uguetto, cirurgião plástico membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, a região inchada costuma melhorar depois de 1 semana a 10 dias. “A prática de atividades físicas é liberada após 1 semana e a relação sexual depois de 21 dias”, esclarece.

Passado todo esse processo pós-operatório, Maria teve afirma que o resultado foi bastante positivo.

“Não sinto mais dores e posso colocar meus biquínis que não marcam mais”, comemora.

Portanto, para quem busca a cirurgia íntima, já sabe: procure informações confiáveis e entre em contato com médicos qualificados. O corpo é seu e somente você deve tomar decisões em relação a ele.

Fonte adicional consultada: Fernanda Torras, ginecologista e obstetra, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e da SMB (Sociedade Brasileira de Mastologia).

*O nome é fictício para preservar a identidade da entrevistada.



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