RETROSPECTIVA 2021 – Os grandes álbuns do ano na música do Brasil | Blog do Mauro Ferreira

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    RETROSPECTIVA 2021 – Na era dos singles e dos EPs que fragmentam álbuns, há artistas que ainda apostam em discos inteiros, com princípio, meio e fim. E com conceito. Embora atrapalhada pela pandemia, a produção fonográfica brasileira se manteve aquecida, gerando (às vezes de forma virtual) álbuns que fizeram jus à cotação máxima de cinco estrelas pela coesão do repertório e por retratarem (mais um) momento de ápice na trajetória artística dos cantores e/ou músicos que os gravaram.

    Ao apagar das luzes de 2021, o Blog do Mauro Ferreira relaciona nove álbuns de artistas brasileiros que, na visão do crítico e colunista musical do g1, primaram pela excelência.

    Eis a lista dos discos, apresentada em ordem alfabética pelos nomes dos criadores dos álbuns:

    Sankofa Amaro Freitas (Far Out Recording / 78 Rotações Produções)

    – No vibrante terceiro álbum, o pianista pernambucano evolui na universalidade de rota afro-brasileira trilhada por Amaro Freitas com trio formado com os músicos Jean Elton (baixo acústico) e Hugo Medeiros (bateria e percussão). Amaro apresenta oito exuberantes temas autorais em disco luminoso.

    Meu coco – Caetano Veloso (Uns Produções / Sony Music)

    – No primeiro álbum de músicas inéditas em nove anos, o artista baiano sobrepõe riquezas às dissonâncias do Brasil na costura mestiça de repertório que transita com inventividade pelo samba, legando grandes músicas como a canção Cobre, o fado Você-você e a composição-título Meu coco.

    – A cantora e o violonista se harmonizam e se irmanam na liberdade com que abordam 13 músicas neste álbum inédito presumivelmente gravado em 1996 ou 1997 em sessão única em estúdio do Rio de Janeiro (RJ), cidade natal dos artistas. A voz e o violão se afinam reluzentes ao longo do disco.

    Zaboio Guinga (Voga Produções / Tratore)

    – Em mais um atestado fonográfico da genialidade, o cantor, compositor e violonista carioca abarca o mundo a partir da geografia também carioca que serviu de ponto de partida para o sublime Zaboio, primeiro álbum que Guinga assina todas as letras em discografia iniciada há 30 anos. Paulistana sabiá é uma das obras-primas do repertório.

    Nordeste ficção Juliana Linhares (Edição da artista)

    – Sob sagaz direção artística de Marcus Preto, a cantora potiguar oferece farto banquete de signos do nordeste do Brasil, propondo narrativa atual sobre a região. A poética abrasiva do repertório quase todo inédito, que destacou Bombinha (Carlos Posada), se afina com o canto quente da cantora revelada como vocalista da banda Pietá.

    Axé – Marcia Castro (Uanga Produções Artísticas / Altafonte)

    – A cantora baiana recupera a cor do canto em álbum que revitaliza a música afro-pop-baiana rotulada como axé music com músicas inéditas assinadas por Carlinhos Brown, Magary Lord, Emicida, Nando Reis e Russo Passapusso. Em mais uma prova do talento de Marcus Preto como diretor artístico, Axé juntou Letieres Leite (1959 – 2021) e Lucas Santtana em produção musical valorizada pelos duetos de Marcia Castro com Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Margareth Menezes, as três maiores divas do axé.

    Noturno – Maria Bethânia (Biscoito Fino)

    – Indo além do show que lhe serviu de ponto de partida, Claros breus (2019), o álbum Noturno reitera a luminosidade magnética da intérprete baiana. Emoldurado por arranjos do maestro Letieres Leite, o canto magno de Bethânia brilha no contraste entre claridade e escuridão que pauta o disco.

    – Nas rodas de samba e forró desde os anos 1990, o cantor e percussionista carioca se apresenta (bem) como compositor no quarto álbum solo, gravado com produção musical de Luís Filipe de Lima. Pedro Miranda assina sete das 10 músicas do homogêneo repertório deste disco que traduz a alma musical do artista.

    São – Thiago Amud (Rocinante)

    – No enredo iluminado deste quarto álbum, Amud se confirma grande compositor, dono de obra autoral pautada pela sofisticação melódica e poética. O resplandecente samba-enredo História da Revolução Caraíba sobressai em disco em que o artista carioca vislumbra alumbramentos sociais em repertório que ecoa influências de Aldir Blanc (1946 – 2020) e Francis Hime.



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