Suman e secretário tinham dinheiro escondido em três endereços e em caixas de máscaras na Prefeitura de Guarujá, aponta PF | Santos e Região

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    O g1 teve acesso, nesta quinta-feira (23), ao documento da Polícia Federal (PF) que detalha todo o dinheiro e itens apreendidos durante a Operação Nácar, em imóveis ligados ao prefeito de Guarujá, Válter Suman (PSDB), e ao secretário de Educação, Marcelo Nicolau. Conforme aponta a PF, mais de R$ 40 mil foram encontrados escondidos dentro de caixas de máscaras de proteção facial no gabinete da prefeitura.

    Após ser solto e retomar ao cargo, o prefeito afirmou, durante entrevista coletiva, que o dinheiro encontrado na casa dele pela Polícia Federal foi obtido por lucros de uma propriedade rural do interior que estaria, ainda segundo ele, declarada no Imposto de Renda. A PF, no entanto, aponta nas investigações que os valores apreendidos não foram declarados em Imposto de Renda e não condizem com o poder aquisitivo dele e do secretário.

    Confira o que foi encontrado durante a Operação Nácar:

    Apartamento em São Paulo – R$ 1.315.000

    Em um apartamento localizado na Rua Cesar Vallejo, em São Paulo (SP), foram apreendidos R$ 1.315.000. O imóvel, segundo a PF, estava registrado em nome de uma 3ª pessoa, mas era utilizado pelo secretário de Educação de Guarujá. Nicolau, no entanto, afirmou à polícia, conforme consta em documento, que locava o imóvel de uma pessoa da qual desconhece o nome inteiro, sem contrato de locação, o que, para a PF, caracteriza ocultação de bens.

    Além disso, conforme aponta a Polícia Federal, Nicolau afirmou que só havia R$ 500 mil no apartamento, ou seja, R$ 815 mil a menos do que a quantia encontrada pelos policiais. Neste mesmo imóvel, utilizado pelo secretário, ainda foram apreendidos recibos de compras de joias em nome da esposa do prefeito Válter Suman.

    Após Nicolau afirmar que desconhecia o nome completo do locador do apartamento, os policiais federais, durante a operação, encontraram a escritura deste imóvel localizado em São Paulo na casa de Suman, constando em nome de um dos filhos do prefeito.

    Gabinete da prefeitura – R$ 42.600

    A Polícia Federal localizou R$ 42.600 em dinheiro no gabinete do prefeito de Guarujá. Segundo os policiais, a quantia estava escondida no interior de caixas de máscaras de proteção facial.

    Mais de R$ 40 mil em dinheiro foram localizados escondidos dentro de caixas de máscaras faciais em Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Polícia Federal

    Residência do prefeito – R$ 70.082

    No apartamento do prefeito Válter Suman, em Guarujá, foram localizados R$ 70.082 em dinheiro, além de 312 unidades de joias e um relógio Rolex.

    Joias também foram localizadas pela Polícia Federal durante Operação Nácar em Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Polícia Federal

    Imóvel em Santos – R$ 300 mil

    A Polícia Federal ainda encontrou R$ 300 mil em dinheiro no interior de um imóvel de alto padrão localizado em Santos. O local está desocupado, mas tem segurança reforçada em nível de “bunker”, segundo a PF. A escritura de compra do imóvel está no nome de dois filhos do prefeito, mas seria o chefe do Executivo municipal que autorizava as pessoas que entravam no espaço.

    Alta quantia em dinheiro foi encontrada pela PF em imóveis ligados ao prefeito de Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Polícia Federal

    Para a PF, é “certo que tais valores não constam declarados em Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) dos conduzidos e a veemente incompatibilidade de poder aquisitivo deles, fatos estes que se amoldam ao art. 1° (modalidade ocultação) da Lei de n° 9.613/1998 – lei de lavagem de dinheiro”.

    Isso porque, antes da Operação Nácar, conforme a PF explica no documento, a Justiça autorizou a quebra de sigilo fiscal dos investigados e os policiais tiveram acesso aos dados declarados pelos políticos à Receita Federal, identificando que o dinheiro apreendido não foi declarado.

    O g1 solicitou posicionamento à defesa de Suman e à Prefeitura de Guarujá, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Com relação a defesa de Nicolau, a advogada que o representa ainda não foi localizada.

    Operação Nácar e prisão do prefeito

    A prisão em flagrante de Suman e do secretário de Educação, Marcelo Nicolau, foi realizada pela Polícia Federal, no dia 15 de outubro, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Nácar, que investiga um esquema de desvio de dinheiro na rede pública de saúde em meio ao enfrentamento da Covid-19. As ações aconteceram na casa do prefeito e também do secretário. Nos imóveis ligados a ambos, foi encontrada uma grande quantia em dinheiro.

    O g1 teve acesso à decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) que autorizou os mandados de busca e apreensão que resultaram nas prisões dos políticos. A reportagem também teve acesso ao documento da Polícia Federal que detalha os itens apreendidos na residência do prefeito, totalizando mais de R$ 70 mil e dezenas de joias.

    Toda a investigação ocorreu após uma denúncia apresentada no Ministério Público do Estado de São Paulo. Em análise, o MP apontou que haviam indícios de irregularidades no contrato entre a Prefeitura de Guarujá e a Organização Social Pró-Vida, que era responsável pela administração da UPA da Rodoviária e 15 Unidades de Saúde de Família (Usafas).

    Prefeito de Guarujá, Válter Suman, foi preso durante operação da Polícia Federal no dia 15 de setembro. Ele foi solto no sábado (18) — Foto: Matheus Tagé/Jornal A Tribuna

    De acordo com o relatório preliminar no Tribunal de Contas da União (TCU), a OS e a empresa A.M. da Silva Administrativos firmaram contratos com o município de Guarujá de valores que superam R$ 30 milhões. Uma parte desse montante teria sido recebido pelo Governo Federal para o combate à pandemia de Covid-19.

    Por isso, as apurações passaram a ser acompanhadas pelo MP e polícia federais, que investigam os crimes de corrupção ativa e passiva, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. O prefeito é suspeito de comandar a organização criminosa que teria desviado mais de R$ 109 milhões desses recursos públicos.

    Suman chegou a ser preso no dia 15, mas foi solto no último sábado (18), após a Justiça Federal conceder a liberdade provisória a ele e Nicolau. A decisão afirma que a privação de liberdade é excessiva e que ambos serão soltos por não apresentarem risco de fuga. O prefeito retornou ao cargo na segunda-feira (20).

    Em um comunicado, após a soltura, Suman disse à imprensa que “segue mais forte e determinado” para provar sua inocência. “Os últimos acontecimentos não vão interromper, de maneira nenhuma, o progresso de Guarujá em todas as áreas”, disse ele, em nota.

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