Temporada de cruzeiros cancelada gera prejuízo de R$ 300 milhões no litoral de SP | Porto Mar

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    A decisão de cancelar a temporada de cruzeiros 2020/2021 no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, trará um prejuízo de cerca de R$ 300 bilhões, estima o Concais, o Terminal Marítimo de Passageiros de Santos. A temporada deixará de gerar cerca de 3 mil empregos na região. A MSC era a única operadora que ainda faria a temporada e resolveu cancelar, nesta quarta-feira (24), as viagens programadas.

    A demora na aprovação para a operação de cruzeiros marítimos no Brasil forçou a empresa a tomar a atitude. Sueli Martinez, diretora de operações do Concais, diz que o cancelamento da temporada foi uma surpresa já que os protocolos sanitários que a MSC e o terminal propuseram foram bem rígidos e iriam garantiar a segurança dos passageiros.

    Agora, com o cancelamento da temporada, cerca 25% dos funcionários do Concais foram demitidos e outras 400 pessoas que costumam trabalhar na operação durante a temporada não serão contratadas.

    “Nós já tínhamos iniciados os investimentos mais na área sanitária para a realização da temporada. Vamos passar por uma fase difícil com 18 meses sem receita. A temporada gera 3 mil empregos na região. Isso engloba tudo, táxis, comércio, impostos. Nesse período, Santos deixa de arrecadar cerca de R$ 300 bilhões”, diz ela.

    Na temporada 2020/2021, antes da pandemia, o Concais previa 350 mil embarques pelo Porto de Santos, cerca de 800 mil passando pelo terminal. “Seria uma temporada boa representando 26% de aumento em relação à anterior”, lembrou.

    Agora, segundo Sueli, o Concais irá calcular os custos e se preparar para a próxima temporada, que está prevista para começar no fim de 2021 e deve ter em torno de 280 mil embarques. Cinco navios de cruzeiros deve atracar no porto de Santos, sendo dois da Costa Cruzeiros e três da MSC Cruzeiros.

    “Vamos aguardar. Entendemos que em 2021 ou 2022 vai realmente acontecer a temporada. Mesmo assim, vamos manter os protocolos que desde fevereiro estamos implantando”, disse.

    Imagem aérea do Concais durante temporada de cruzeiros marítimos — Foto: Arquivo/Divlugação/Concais

    A Clia Brasil – Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos – emitiu uma nota sobre o cancelamento da temporada de cruzeiros no Brasil. Segundo a entidade, os associados investiram nos melhores protocolos existentes. Com isso, foram retomadas as operações na Europa, na Ásia e no Sul do Pacífico, mostrando confiança e inspirando a todos para um futuro próspero. A retomada já teve mais de 200 saídas em todo o mundo desde julho.

    No caso do Brasil, segundo a CLIA, não foi possível avançar com a temporada 2020/21, prevista para início em novembro passado e término em abril de 2021. Estavam programados nove navios com uma oferta próxima dos 620 mil leitos, um aumento de 17% em relação a temporada passada. O setor vinha de três anos consecutivos de crescimento e esta seria a quarta temporada com números positivos, mostrando uma tendência importante para o desenvolvimento do setor no Brasil.

    O impacto da paralisação em todo o mundo, calculado pela CLIA global, é de 77 bilhões de dólares para a economia e perda de 518 mil empregos. Na CLIA, há 57 companhias de cruzeiros associadas, 270 navios de oceano, 13 mil agências de viagens, 57 mil agentes de viagens individuais e 350 parceiros executivos.

    Segundo a CLIA Brasil, as perdas para o Brasil são muito relevantes e foram calculadas a partir de um Estudo da FGV para a temporada 2019/2020. O Brasil perde mais de 2,62 bilhões em impacto econômico e 39,5 mil empregos deixam de ser gerados. Cada cruzeirista que visita uma cidade em uma escala deixa um impacto de R$ 557 e gera empregos para toda a economia local.

    A CLIA ainda disse que temporada 2021/22 no Brasil já foi lançada pelos, com início em novembro e com sete navios confirmados. As companhias de cruzeiros continuam acreditando no Brasil, com navios modernos que vão garantir as melhores experiências, respeitando a saúde e segurança dos hóspedes, tripulantes e das cidades, sempre cumprindo as regras e protegendo o meio ambiente.

    Terminal Marítimo de Passageiros, o Concais, no Porto de Santos, em 2018 — Foto: Mariane Rossi/G1



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