Você sabia que Santos Dumont se matou no Hotel La Plage, no Guarujá?

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O voo inaugural do 14-Bis, invenção do nosso ‘Pai da Aviação’, Alberto Santos Dumont, foi em 7 de setembro de 1906, e dois meses depois, em 12 de novembro, Santos Dumont recebeu o Prêmio Archdeacon e o Prêmio do Aeroclube da França ao realizar um voo recorde de 220 metros de distância, em Paris, com um aparelho mais pesado do que o ar.

O tempo de voo era controlado em seu relógio de pulso, também invenção sua, enquanto usava o seu chapéu Panamá, que se popularizou na moda, em seguida. Santos Dumont estava realizando o sonho de ‘voar como um pássaro’ e não ‘saltar como um gafanhoto’, ironia que fazia sobre a invenção dos irmãos Wright, cultuados nos Estados Unidos, como os inventores do avião, que na verdade era um aparelho catapultado por eles.

O inventor fez questão de não patentear seus projetos, para que caíssem no domínio público, porém oportunistas tentavam enriquecer com suas ideias. Veio, então, a Primeira Guerra Mundial e Santos Dumont  viu seus balões dirigíveis e seus aviões serem usados militarmente. Um desgosto para quem considerava os aparelhos como sua família.

Em 1928, mais uma tristeza: viu um grupo de amigos morrer em um acidente aéreo no Rio de Janeiro, quando faziam uma homenagem por seu retorno ao Brasil, o que agravou sua já profunda depressão.

Em 1932, não suportou ver novamente seu maior invento ser usado para metralhar civis e bombardear cidades, na Revolução Constitucionalista.

A morte de Santos Dumont no Guarujá

Então, em julho deste ano, mesmo mês em que nasceu, Santos Dumont tirou a própria vida, em um hotel, bo Guarujá. O Brasil e o mundo perdiam o criador do primeiro balão dirigível e do aeroplano mecânico, um heroi que lutou bravamente pelo progresso da humanidade.

Ele esteve em Paris pela última vez em 1929, e foi promovido ao grau de Grande Oficial da Legião de Honra da França, em junho de 1930, internando-se logo depois numa casa de saúde, em Orthez.

Ao voltar ao Brasil em meados de 1931 já se estava deprimido por achar ter contribuído para a guerra, já que suas invenções vinham sendo usadas para a destruição.

No início da Revolução de 1932, Santos Dumont chegou ao Guarujá com seu sobrinho Jorge Dumont Villares, já com profundo esgotamento nervoso. Ficou hospedado no Hotel La Plage (onde hoje funciona o Shopping de mesmo nome) e no dia 23 de julho ainda recebeu a visita do aviador Edu Chaves, pouco antes de tirar a própria vida.

Como morreu Alberto Santos Dumont

Existem algumas versões para sua morte. Eis o relato do delegado de polícia que atendeu à ocorrência, Dr. Raimundo de Menezes, descrita por Barros Ferreira:

“- Santos Dumont estava hospedado no Hotel La Plage, que era o melhor do Guarujá. De lá, recebera a comunicação aflita. Não havia tempo a perder. Dirigi-me para o hotel, onde fui encontrar Edu Chaves e um sobrinho do inventor, muito preocupados. Contaram-me que Santos Dumont, nos últimos dias, ficara muito impressionado com o lançamento de bombas por parte de aviões do Governo Ditatorial. Culpava-se pelo seu invento, que devia aproximar os homens e não contribuir para maior matança. Penitenciava-se pelo mau uso que faziam da aviação. Já sofrera uma crise muito grave.

“Correram em direção ao banheiro. Bateram à porta. Como não houvesse resposta, mandei arrombá-la. E o que vimos constituía um quadro dos mais dramáticos. Santos Dumont enforcara-se. O corpo, pequeno e magro, pendia do cano do chuveiro. Utilizara como corda o cordão do roupão de banho. Retirado o corpo, o médico informou que nada mais havia a fazer. Estava morto. Restava dar cumprimento aos regulamentos. Conquanto se tratava de uma glória nacional, a autópsia se impunha. Mas, quando cheguei à delegacia, já me aguardava um telefonema do chefe de polícia, então o Tirso Martins. Informou-me que a família de Santos Dumont obtivera do Governador Pedro de Toledo a entrega do corpo…”

“- Então não crie embaraços à família. Vamos dar o caso como morte natural. A família insiste na dispensa da autópsia. Não há motivo para não atender a essa solicitação. O governador está de acordo. Eu assumo a responsabilidade. Já demos instruções à Censura para que os jornais não divulguem a morte como suicídio.

Fato é que o ‘Pai da Aviação’ passou seus últimos dias de vida no Grande Hotel de La Plage, em Guarujá, a poucos quilômetros da Base de Aviação Naval da Bocaina. E foi ali que, abatido pela depressão, aos 59 anos, fez seu último voo, no dia 23 de julho de 1932, quando o governo decretou luto oficial por três dias.

* Com informações do Portal Novo Milênio e fotos/reproduções de Portal G1 (destaque) e Veja/Abril (topo)



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